quarta-feira, dezembro 06, 2006

Preocupações Ambientais da Escola Moderna

Realizou-se no dia 29 de Novembro de 2006, pelas 21:15H, uma palestra proferida pelo Professor Doutor Pedro Gonzalez sobre "As preocupações Ambientais da Escola Moderna", no novo edifício do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, sito ao Pico da Urze-Angra do Heroísmo.
As preocupações de diferentes grupos, derivadas de questões que surgem nos nossos dias como a segurança rodoviária, o comportamento sexual ou a sexualidade responsável, anorexia, obesidade ou problemas relacionados com a saúde, hábitos de consumo e problemas ambientais, entre outros, têm originado pressão no nosso sistema educativo visando introduzir conteúdos ou mesmo disciplinas como formas de intervenção para atenuar ou encontrar soluções para os problemas apresentados.
As respostas a estas questões, originárias da escola podem apresentar uma dimensão de carácter pontual através da criação de disciplinas específicas a fim de responder a cada lobby. Este tipo de resposta traz como consequência o aumento dos conteúdos a trabalhar e da carga horária dos alunos, já por si exagerada. Outra estratégia possível aponta para o estabelecimento de respostas integradas, embora possam ser apontadas de respostas de risco porque “na procura de responder a tudo não se responde a nada”. Este tipo de resposta integrada aposta no desenvolvimento nos alunos de capacidades ou competências que atendam, transversalmente, às exigências sociais.
As capacidades ou competências transversais em questão estão relacionadas com valores ou competências ou objectivos relativamente consensuais nas nossas sociedades. Esta tem sido a aposta da Escola Moderna. Algumas delas são competências relativas ao sentido social, de solidariedade. Embora já gasta, esta palavra refere um conceito fundamental relacionado com a formação do cidadão, valorizando a participação da pessoa na “polis”, como evidência de preocupação com os outros, e do “homo economicus” visando a participação em grupos ou na constituição e lideranças de equipas, tido em grande apreço pelas empresas dos nossos dias.




Uma ferramenta imprescindível para discernir esclarecidamente, para fazer previsões de evoluções a partir da análise de dados concretos em situações reais ou para tomar decisões é o sentido crítico, valorizado e centro das preocupações de todos os professores. Esta competência está relacionada com o aprender a aprender (que podemos traduzi-la pedagogicamente com o significado de aprender a investigar). Isto é, fazer o que fazem os cientistas de modo a poder lidar com uma das características do mundo de hoje que é a imensa produção de conhecimento, o que nos obriga a uma aprendizagem ao longo da vida e que relativiza o trabalho pedagógico centrado na transmissão de conteúdos. Torna-se assim, mais importante (e funcional) aprender a investigar do que a dominar uns poucos conteúdos, que rapidamente podem ficar obsoletos.
As estratégias adoptadas pela proposta pedagógica da Escola Moderna passam pela valorização do trabalho cooperativo, matriz da sua Organização Social das Aprendizagens em que assenta o desenvolvimento de actividades que promovem a autonomia dos alunos (no aprender, no procurar, arrumar e comunicar informação, na gestão das relações no seio do grupo-turma, no participar na auto e hetero-avaliação, por exemplo), entre outros.
Quando falamos em Organização estamos a pensar numa estrutura, num edifício, num sistema. Neste caso concreto, o trabalho, o ambiente na sala de aula ou na escola deve ser ou estar inserido numa Organização para Aprender. Por isso falamos de Organização das Aprendizagens. Como sabemos, os alunos não aprendem apenas do professor. Entendemos que os outros, a comunidade, o grupo, alunos e docentes, e a própria organização contribuem para a educação e para as aprendizagens. Por isso, falamos de uma Organização Social das Aprendizagens.

Na Escola Moderna, esta Organização Social das Aprendizagens assenta numa matriz cooperativa, solidária, de inter-ajuda, que é o que se pretende que seja o ambiente onde os alunos construam as suas aprendizagens. Um ambiente onde possam ser contaminados pelos valores em que a organização se apoia. É uma aposta na isomorfia.
Além desta Organização Social das Aprendizagens, de matriz cooperativa, os professores da Escola Moderna, individualmente, dependendo da sua maior ou menor consciência ambiental, poderão propor aos seus alunos actividades com diferentes graus de aproximação aos problemas ambientais.
Estas actividades poderão ter a forma de projectos que, na Escola Moderna, se caracterizam por ser, preferentemente, da iniciativa dos alunos, podendo os professores incentivar ou influenciar essa iniciativa, de curta duração e em pequenos grupos. Os diferentes tipos de projectos possíveis podem ser classificados em projectos de estudo, projectos de intervenção e projectos de experimentação.
Quando analisamos as propostas de Educação Ambiental feitas por associações, ONG's, etc., preocupadas com as questões ambientais, verificamos que, a essência destas propostas, se assemelha em muitos aspectos às formas de organização do trabalho de aprender propostas na literatura pedagógica dos nossos dias, nomeadamente no que concerne à responsabilização dos alunos nas suas aprendizagens, à participação na organização para aprender, na avaliação e na regulação do trabalho para aprender.
Por último, em modo de conclusão, a resposta da Escola Moderna quanto às exigências relacionadas com o Ambiente caracteriza-se por ser transversal e abrangente. É dizer, a Escola Moderna está preocupada em ajudar a formar um cidadão comprometido com os problemas da “polis”, com a sua participação na “polis” e, consequentemente, com os problemas ambientais porque são também problemas sociais.